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Monte Kilimanjaro pode perder o gelo e a fama em mais 10 anos

 

Gelo eterno do Kilimanjaro vai derreter em 10 anos. Foto Gary Craig, CC
22-01-2019 10:59:11 (4380 acessos)
Atração internacional de turismo, beleza universal pela neve que o encobre há 12 mil anos, Monte Kilimanjaro, na Tanzânia, pode perder esse encanto dentro de pouco mais de 10 anos. Previsão do derretimento até 2030 foi anunciada por Satya Tripathi, secretário-geral assistente da ONU. Culpa é do aquecimento global, que já faz outras vítimas na Terra

Kilimanjaro, montanha de 5900 metros de altura, é famoso pela cobertura nevada que existe há aproximadamente 12 mil anos. Pre3visão de desaparecimento do gelo é mais um sintoma das mudanças climáticas e do aumento global da temperatura. O derretimento desta e outras calotas de gelo em altitudes elevadas preocupa a ONU Meio Ambiente.

“Os ecossistemas de montanha são fundamentais para as vidas de mais da metade da população mundial”, ensina Satya Tripathi. “Eles são fonte de água, energia, agricultura e outros bens e serviços essenciais. Mas eles estão desaparecendo diante de nossos olhos.”

Cita como exemplo, a geleira de Humboldt nos andes da Venezuela, que

está prestes a sumir. E é a última do País. Quase todas as geleiras em

montanhas nos trópicos, deverão derreter em poucas décadas.

Do outro lado do planeta, as calotas de gelo mais altas do mundo, na

cordilheira do Himalaia, também estão encolhendo, o que ameaça meios

de subsistência e a segurança hídrica. Para obter água potável, quase 2

bilhões de pessoas dependem do ecossistema gelado da cadeia

montanhosa do Himalaia e Hindu Kush. Isso significa que perturbações

dessas geleiras podem ter impacto na economia global.

Com um clima em transformação, as montanhas viraram palco de desafios ambientais únicos. No Peru, por exemplo, foi necessário construir barreiras de proteção contra enchentes causadas pela cheia de lagos glaciais. Nesse cenário de problemas inéditos, o compartilhamento de experiências e a cooperação global são cruciais para uma adaptação bem-sucedida.

Durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima em Katowice (COP24), na Polônia, a ONU Meio Ambiente e fundação GRID-Arendal lançaram um relatório sobre lacunas nos esforços de adaptação dos ecossistemas de montanha.

O documento avalia problemas nas áreas-chave definidas por um projeto da agência da ONU e do governo da Áustria — a inciativa Ação contra a mudança climática em países em desenvolvimento com ecossistemas montanhosos frágeis de uma perspectiva sub-regional. Acesse a publicação clicando aqui.

A ONU Meio Ambiente, a GRID-Arendal e o Centro Internacional

para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas (ICIMOD)

também apresentaram um panorama das estratégias de

adaptação climática na cadeia montanhosa do Hindu Kush

e Himalaia. Conheça o documento clicando aqui.

O alpinista e atleta Will Gadd, um dos mais célebres do mundo, foi nomeado recentemente Herói das Montanhas da ONU Meio Ambiente, um título honorário semelhante ao de embaixador da Boa Vontade das agências das Nações Unidas.

Gadd estabeleceu rotas de alpinismo em diferentes partes do planeta e bateu duas vezes o recorde de maior distância percorrida por parapente (423 km). Em 2014, o montanhista escalou as partes remanescentes da geleira do Kilimanjaro.

Os Heróis da Montanha da ONU são esportistas extraordinários que dedicam parte de seu tempo a questões ambientais, em especial a proteção das montanhas, onde indicadores precoces dos efeitos da mudança climática já estão se tornando visíveis. O grupo de atletas inclui a esquiadora queniana Sabrina Simader e o ciclista australiano Michael Strasser, que recentemente quebrou o recorde mundial de circuito mais rápido do extremo norte da América do Norte até a ponta mais ao sul da Patagônia.

Alpinistas também têm a responsabilidade de proteger as paisagens onde se divertem. Para aumentar a conscientização sobre os desafios enfrentados por ecossistemas e comunidades montanhosos, será necessária a cooperação entre todos os atores interessados.

Por isso a ONU Meio Ambiente implementa uma parceria com a Federação de Alpinismo e Montanhismo, a fim de fortalecer a proteção ambiental nessas regiões. A colaboração inclui o treinamento de guias em questões de sustentabilidade, em colaboração com a Federação Internacional das Associações de Guias de Montanha. Um exemplo é a sensibilização de alpinistas com o objetivo de reduzir o lixo abandonado nessas frágeis paisagens.

 

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