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Pesquisa defende proteção das espécies aquáticas na Amazônia

 

Biodiversidade 20% protegida, pode ganhar 600% de protecao. Foto EMBRAPA, Lacia-INPA
26-10-2020 21:24:48 (706 acessos)
Pesquisa publicada pela revista Science pode dar o impulso protetor que está precisando a biodiversidade aquática da Amazônia e brasileira como um todo. Estudo foi desenvolvido por cientistas do Brasil, Austrália, Estados Unidos, Suécia e Reino Unido e clama pelo cuidado com os ecossistemas da região, "negligenciados nos projetos e ações de conservação." Foram avaliadas 1500 espécies terrestres e de água-doce em 99 igarapés; e, 377 pontos da floresta. Proteção pode aumentar até 600%.

Ações de conservação geralmente são focadas em espécies terrestres,

protegendo somente cerca de 20% da biodiversidade aquática.

Trabalho internacional foi publicado na revista Science.

Foram avaliadas 1.500 espécies terrestres e de água-doce

em 99 igarapés e 377 pontos da Amazônia brasileira.

Projetos de conservação integrados poderiam aumentar

a proteção das espécies aquáticas em até 600%.

A biodiversidade de água-doce na Amazônia brasileira permanece ameaçada enquanto as estratégias de conservação estiverem direcionadas aos ecossistemas terrestres. É o que afirma um novo estudo da Rede Amazônia Sustentável. O trabalho mostra que as iniciativas de conservação focadas nas espécies terrestres protegem apenas 20% da biodiversidade presente em rios, lagos e riachos. E indica também como otimizar a conservação das espécies de água-doce na região.

A pesquisa realizada por cientistas do Brasil, Austrália, Estados Unidos, Suécia e Reino Unido evidencia que, embora importantes para a regulação do clima e como fonte de alimento e combustível paras as populações locais, os ecossistemas aquáticos costumam ser negligenciados nos projetos e ações de conservação. O estudo aponta estratégias para aumentar a proteção às espécies de água-doce por meio de esforços de conservação direcionados às espécies terrestres, como considerar as microbacias e as redes hidrográficas da região. 

Publicado na revista Science (Integrated terrestrial-freshwater planning doubles conservation of tropical aquatic species), o trabalho é pioneiro ao integrar informações da biodiversidade aquática e terrestre para ações de conservação ambiental na Amazônia.  A pesquisadora Cecilia Gontijo Leal, da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal de Lavras (UFLA), primeira autora do estudo, afirma que o planejamento da conservação geralmente se concentra na proteção de espécies que vivem na terra. “Presume-se que as espécies de água-doce serão protegidas incidentalmente - isto é, por acaso, como resultado dos esforços para conservar as espécies terrestres”, esclarece.

Os pesquisadores avaliaram mais de 1.500 espécies de água-doce e terrestres em 99 igarapés – canal estreito de rio – e em 377 pontos de estudo na Amazônia brasileira. Os principais grupos de espécies aquáticas incluíram peixes, libélulas e invertebrados nas microbacias localizadas nas áreas analisadas. Eles também examinaram espécies terrestres, incluindo plantas, aves e besouros rola-bosta.

Planejamento integrado pode aumentar proteção das espécies aquáticas em 600%

Um dos principais resultados aponta que as iniciativas de conservação com foco somente nas espécies terrestres protegem apenas 20% das espécies de água-doce. “Ou seja, cerca de 80% das espécies que vivem em rios, riachos e lagos ficam desprotegidas. Para enfrentar a crise da biodiversidade aquática, essas espécies precisam ser explicitamente incorporadas ao planejamento de conservação”, analisa a cientista. 

O cientista Gareth Lennox, da Universidade de Lancaster, no Reino Unido, coautor do trabalho, afirma que por meio do planejamento integrado descobriu-se que a proteção das espécies aquáticas pode ser aumentada em até 600% sem redução na proteção das espécies terrestres. “Isso representa uma grande oportunidade para a conservação, e a proteção para um grupo de espécies não requer perdas de proteção para os outros, nem aumentos significativos de custo”, explica. 

Menos 83% de vertebrados de água-doce em cinco décadas

Embora ocupem menos de um por cento da superfície da Terra, rios, lagos e riachos abrigam cerca de um décimo de todas as espécies conhecidas - incluindo um terço de todos os vertebrados. Nos últimos 50 anos, as populações de vertebrados de água-doce despencaram 83% - mais do que o dobro da queda de vertebrados terrestres e marinhos, que diminuíram cerca de 40% no mesmo período.

Essa queda dramática na biodiversidade de água-doce tem sido causada, segundo os especialistas, por um conjunto de fatores relacionados à atividade humana, como a perda e degradação de habitat; sobrepesca; ”boom” de algas; construção de barragens; e a introdução de espécies não nativas. 

 

Fonte: EMBRAPA - Assessoria de Comunicação Social
 

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