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Médicos de UTIs reclamam de esgotamento emocional e excesso de trabalho

Médicos de UTIs reclamam de esgotamento emocional e excesso de trabalho
[foto] - Cansaço e afetação emocional, reclamos dos médicos de UTIs no Braail. Foto AgBr, Rovena Rosa

19-09-2026 16:36:18
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Esgotamento mental e emocional está prejudicando a atividade dos profissionais de Medicina que atuam em unidades de terapia intensiva (UTIs) em t4odo o Brasil. Essa foi a conclusão d e umn Inquérito Nacional sobre a Força de Trabalho Médica das UTIs Brasileiras, realizado pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM). Dos 2.338 profissionais ouvidos, 48,5% mostraram perturbações e 46,4% insatisfação com o trabalho.

 


"...os achados sugerem um quadro de grande vulnerabilidade de médicos intensivistas à síndrome de burnout, fenômeno caracterizado por exaustão emocional, distanciamento afetivo e sensação de baixa realização pessoal." É a opinião da AMIB, sugerindo que a "saúde mental dos profissionais não deve ser tratada como pauta secundária, mas como questão prioritária para políticas públicas, além de exigir mobilização de gestores, instituições e autoridades de saúde."

Estevam Rivello, diretor de Comunicação do CFM, chamou a atenção para os diferentes impactos da pressão em médicos intensivistas dos sistemas público e privado. “No sistema suplementar, o profissional tem uma estrutura, um arsenal terapêutico que ele pode implementar na assistência ao doente grave com maior facilidade do que quando comparado ao serviço público. O nível público, com absoluta convicção, registra maior estresse, porque lida com um profissional que não tem a mesma remuneração do serviço suplementar e que tem mais vínculo empregatício em relação ao serviço suplementar.”

Os números mostram que 4 em cada 5 (79,7%) médicos que atuam em UTIs

requerem atenção e cuidado com a saúde emocional – enquanto 31,2% indicaram

esgotamento moderado, 48,5% sinalizaram alto nível de desgaste. Do total de

entrevistados, apenas 20,3% relataram baixos níveis de esgotamento emocional.

Na avaliação da AMIB, o quadro decorre, possivelmente, da carga horária de trabalho elevada, da exposição constante a situações críticas, incluindo a precariedade da infraestrutura, e a demanda crescente da população por cuidados diante de uma rede de cobertura limitada.

Também são apontados como fatores potenciais para esse cenário o confronto diário dos profissionais com situações limite (dor, sofrimento e morte) e com a exigência de tomadas de decisões necessariamente ágeis e precisas.

Ainda de acordo com o estudo, a baixa satisfação com a atividade desempenhada, apontada por 46,4% dos entrevistados, segue o mesmo patamar proporcional daqueles que indicaram altos níveis de esgotamento mental.

Quando inseridos aqueles com grau moderado de satisfação, 84,5% da força de trabalho médica demonstra não estar totalmente satisfeita com o próprio exercício da medicina nas UTIs.

Esgotamento e indiferença

Ainda de acordo com o estudo, 45,6% dos intensivistas afirmam ter algum grau de despersonalização, fenômeno caracterizado pelo distanciamento emocional e pela adoção de atitudes classificadas como frias, apáticas ou até mesmo cínicas com relação a pacientes e colegas de trabalho.

“Esse comportamento prejudicial ao ambiente assistencial compromete a qualidade do atendimento, afeta a dinâmica de comunicação nas equipes e se contrapõe à humanização do cuidado. Enquanto 29,6% dos médicos responderam por um nível moderado de despersonalização, 16% reportaram níveis elevados desta percepção.”

Os dados mostram ainda que, quanto maior o grau de especialização do médico que trabalha no ambiente intensivo, menor o nível de esgotamento mental, menor a referência a comportamentos de distanciamento afetivo e maior o grau de realização pessoal com o exercício da profissão.

Quanto menos especializado o médico, maiores os níveis de esgotamento, de distanciamento e menor a satisfação com o próprio desempenho.

Entre médicos intensivistas, 44,5% relataram alto nível de esgotamento emocional, 12,7% alto grau de despersonalização e 39,8% baixo nível de satisfação com o próprio desempenho. Em contraste, entre os médicos generalistas que trabalham nas UTIs, os percentuais foram 52,3%, 20,1% e 50,7%, respectivamente.

 

 

Fonte: CFM e AMIB, Agência Brasil
 

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