
Das 360 regiões turísticas catalogadas pelo Mapa do Turismo Brasileiro exibe informações dos anos de 2020 e 2025 e encontrou danos em pelo menos 301 destinos afetados.
"Esses números são indicadores alarmantes de que o turismo brasileiro já opera sob alta vulnerabilidade climática e que é necessário planejamento e adaptação do setor. Deixar de tratar esses eventos como algo excepcional e reconhecer esta nova realidade, planejar e agir para minimizar seus efeitos, é o mínimo que precisamos fazer, e cada região exigirá um conjunto de ações adaptadas à sua realidade." Esses alertas são da pesquisadora Jaqueline Gil, uma das autoras do estudo,
Para chegar aos indicadores, os pesquisadores cruzaram informações do Mapa do Turismo Brasileiro com o Banco de Dados de Eventos de Emergência do Centro de Pesquisa em Epidemiologia de Desastres, de 1990 a 2025; e, complementaram com a análise de quase 100 atas de reuniões do Conselho Nacional de Turismo e mais 30 documentos complementares de políticas públicas no País, sobre o tema.
A partir dessas informações, os pesquisadores constataram que, nas últimas quatro décadas, a ocorrência de eventos climáticos extremos demonstra uma tendência de crescimento. Apesar do perigo em concreto, a situação não foi acompanhada por ações de prevenção e adaptação no setor de turismo.
Realidade se torna mais grave, diante de estatísticas de expansão do fluxo turístico que alcançou 9 milhões de turistas estrangeiros em 2025. Número é recorde e cresce desde 2024, quando o setor voltou ao patamar da década anterior, de uma média de 6 milhões de visitantes vindos de outros países.
Fernanda Dornelles, vice-presidente da Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura (Abeta) fala que a pressão exercida pelas mudanças climáticas, já é sentida pelos operadores de turismo, que se adaptam conforme as capacidades, mas as respostas ainda são insuficientes. “Não podemos depender de respostas isoladas e paliativas, e a resposta à nova realidade deve ser a articulação entre conhecimento, boas práticas e diálogo entre empresas, o poder público e as comunidades locais.”
Fernanda acrescenta que o turismo atua em um amplo ecossistema, que precisa ser todo adaptado, desde a aproximação da gestão dos territórios às políticas de conservação e proteção de quem preserva os ambientes, até as cadeias alcançadas pela geração de recursos, renda e desenvolvimento decorrente das visitações.
“É uma agenda que depende de ciência, governança e participação do setor privado, na qual o turismo pode deixar de ser apenas um usuário da natureza para se tornar parte da estratégia de conservação e resiliência dos destinos."
Fonte: Ministério do Turismo e Agência Brasil
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