Economia agrada indústria que tem sugestões para atrair investidores
05-08-2020 19:51:45 (131 acessos)
"Desde a gestão do ex-presidente Michel Temer, houve avanços visíveis na governança pública e no tratamento de projetos de infraestrutura do Governo Federal, com a constituição do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI)". É a visão do presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Base (ABDIB), algo incentivador para os condutores da política econômica brasileira. O próprio dirigente admite que a percepção do ritmo de recuperação "é fator decisivo" para atrair investidores.

Para entender essa posição de um dos principais segmentos da indústria nacional, é melhor observar o que diz Venilton Tadini, o presidente da ABDIB.

Percepção quanto ao ritmo de recuperação da economia brasileira será um fator decisivo para a decisão de investidores estrangeiros sobre aplicar ou não, recursos em projetos de expansão e modernização da infraestrutura brasileira. Regulação atrativa e bons projetos entram na conta, são importantes, mas sem perspectiva, o Brasil corre sério risco de ficar para trás.

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Para Tadini, o PPI – mantido pelo atual Governo – foi importante também para articular os vários órgãos do Poder Executivo e promover um diálogo mais profícuo e fluído com os órgãos regulatórios, de controle e fiscalização.

Em paralelo, instituições de fomento como BNDES e Caixa Econômica Federal (CEF) criaram “fabricas de projetos”, estruturas administrativas para formatar estudos e projetos de infraestrutura, apoiando principalmente entes subnacionais.

“O governo federal passou a ter projetos com maior racionalidade econômica, com critérios de retorno adequadamente analisados”, afirma o Presidente da ABDIB. E o resultado está refletido em leilões de concessão bem-sucedidos, “sucesso absoluto”, como diz. São os projetos de aeroportos, de trechos rodoviários, de linhas de transmissão. “O mesmo passou a acontecer com estados e municípios”, lembra o Presidente.

Venilton Tadini considera que já houve avanços regulatórios importantes. Exemplos estão no setor de telecomunicações com a mudança do modelo de concessão para o de autorização, que dá mais flexibilidade para expandir investimentos em banda larga. Boa referência ainda é o segmento de saneamento básico, que abre perspectiva para um volume significativo de investimentos privados nas áreas de água, esgoto e resíduos sólidos.

Duas diretrizes necessárias

Mas Tadini alerta sobre as ações necessárias para o Brasil permanecer na disputa pela atração de investimentos em infraestrutura no momento pós-pandemia, quando o capital internacional reduzir a aversão ao risco e voltar a procurar taxas mais qualificadas de retorno em detrimento de liquidez. “Este momento não está tão longe”, diz.

“Investidores vão verificar essencialmente a capacidade de recuperação das economias de todos os países, principalmente os emergentes. O crescimento econômico do Brasil, que já era claudicante nos últimos anos e será negativo em 2020, será desafiado nos próximos anos em virtude de taxas de desemprego em patamares extremamente elevados”.

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Para o presidente-executivo da ABDIB, o Brasil tem de realizar "rapidamente"

duas tarefas em paralelo: concluir reformas nos marcos regulatórios de

setores de infraestrutura e evitar que o tecido econômico esteja

esgarçado ao ponto de a economia brasileira não mostrar

capacidade de recuperação da demanda já em 2021.

“É importante ter clareza que marcos regulatórios atrativos e bons projetos, com racionalidade e boa estruturação, são essenciais, mas não é o suficiente. A perspectiva de crescimento da demanda da economia brasileira será fator essencial na tomada de decisão”, conclui.

Disputa global

Um aviso do presidente-executivo da ABDIB, é que ao sair da crise será fundamental cuidar das condições para a retomada da economia. O Brasil não está sozinho na oferta de bons programas e projetos para investimentos em infraestrutura. Países que primeiramente reunirem os fatores mais adequados (bons projetos e boa perspectiva de recuperação do crescimento da demanda), tendem a capturar os capitais disponíveis primeiro. “Investidores vão permanecer no estado de espera da recuperação econômica brasileira. Mas ao mesmo tempo já estarão investindo em boas oportunidades que outros países oferecem. O Brasil não pode correr o risco de ficar para trás”.

Então, será muito importante que haja articulação efetiva do Estado

brasileiro para que as consequências econômicas da crise causada

pela pandemia do novo coronavírus, não debilitem a demanda

agregada a ponto de dar uma expectativa de retorno negativo para

os investidores, sejam nacionais ou internacionais. “O capital gosta e

precisa de retorno do investimento realizado – e o retorno é dado pela demanda”.

 

Fonte: ABDIB - Agência INFRA
 

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