“Antigamente, o tabagismo era uma coisa estimulada pela sociedade. Ainda não existiam estudos que mostravam o malefício do cigarro. Nos anos 1930, 1940, nos EUA, os médicos faziam propaganda de cigarro. A comunidade científica só descobriu que a nicotina é uma droga, em 1986”.
Dois anos depois, em 1988, surgiram as primeiras restrições ao consumo do cigarro no Brasil. Eram apenas recomendações do Ministério da Saúde para que as pessoas não fumassem no trabalho ou usassem áreas delimitadas para isso, os chamados fumódromos.
Em 1989, veio a primeira lei contra cigarro no Brasil. O fumo foi proibido em locais públicos, como hospitais, salas de aula, teatros e cinemas. A legislação não restringiu totalmente a propaganda do cigarro, mas proibiu, por exemplo, aquelas que associavam o tabagismo com ideias positivas como o bem-estar corporal ou à saúde física.
Até que, em 2011, a presidente Dilma Rousseff sancionou a primeira lei federal antifumo. Regulamentada três anos após a sanção (em maio deste ano), a lei começa a valer em dezembro. O texto proíbe qualquer propaganda de cigarro, inclusive nos pontos de venda, e não permite o consumo de cigarro em locais públicos, mesmo em fumódromos.
Vitória
Chefe do Programa Nacional de Controle do Tabagismo do Instituto Nacional de Câncer (Inca), a médica Tânia Cavalcante afirma que cada lei aprovada representa uma vitória diante do enorme poder da indústria do fumo.
“A gente precisa avançar mais nas leis e nas medidas que visem reduzir o acesso dos adolescentes ao cigarro, para evitar esse primeiro contato. A gente anda muito lento nesse processo porque os obstáculos são enormes”, diz Tânia. “A gente sabe que o lobby da indústria no Congresso Nacional é muito forte. Isso acontece não só no Brasil, mas em todos os países".
Apesar de as ações de controle do fumo colaborarem para que o cigarro perca popularidade, a Organização Mundial da Saúde estima que mais de 1 bilhão de pessoas no mundo ainda sejam fumantes, o que representa um terço da população mundial adulta.
Projetos
Dobrar o imposto sobre cigarros e derivados de tabaco, é um dos 140 projetos que circulam hoje na Câmara Federal,. em Brasília. Querem impor restrições à fabricação e ao consumo de cigarros. Algumas sequer deram o primeiro passo: ainda aguardam a criação de uma comissão temporária para analisá-las. Outras estão prontas para serem votadas pelo Plenário.
PAra Benício Werner, presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil, subir o preço do cigarro não significa diminuir o consumo. “Quanto mais caro for o cigarro legal, maior vai ser o consumo do cigarro ilegal. Isso não quer dizer que o consumidor deixou de fumar”.
Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que o aumento de 50% da tributação da matéria-prima do cigarro, poderia levar 49 milhões de pessoas a parar de fumar no mundo todo.
Fonte: Agência Câmara
Não há Comentários para esta notícia
Aviso: Todo e qualquer comentário publicado na Internet através do Noticiario, não reflete a opinião deste Portal.